quinta-feira, 31 de julho de 2014

Mudança de Rumo


Muitos há que não compreendem a verdadeira natureza do arrependimento. Multidões de pessoas se entristecem pelos seus pecados, efetuando mesmo exteriormente uma reforma, porque receiam que seu mau procedimento lhes traga sofrimentos. Mas não é este o arrependimento segundo o sentido que lhe dá a Bíblia. Lamentam antes os sofrimentos, do que o próprio pecado. Tal foi a tristeza de Esaú quando viu que perdera para sempre o direito da primogenitura. Balaão, aterrado à vista do anjo que se lhe pusera no caminho com a espada alçada, reconheceu seu pecado porque temia que devesse perder a vida; não teve, porém, genuíno arrependimento do pecado, nem mudança de propósito ou aborrecimento do mal. Judas Iscarioes, depois de haver traído seu Senhor, exclamou: “Pequei, traindo sangue inocente.” Mateus 27:4.
A oração de Davi, depois de sua queda, ilustra a natureza da verdadeira tristeza pelo pecado. Seu arrependimento foi sincero e profundo. Não fez nenhum empenho por atenuar a culpa; nenhum desejo de escapar ao juízo que o ameaçava lhe inspirou a oração. Reconheceu a enormidade de sua transgressão; viu a contaminação de sua alma; aborreceu o pecado. Não suplicava unicamente o perdão, mas também um coração puro. Anelava a alegria da santidade — ser reintegrado na harmonia e comunhão com Deus. Era esta a linguagem de sua alma: “Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa maldade, e em cujo espírito não há engano.” Salmos 32:1-2.
Cristo é a fonte de todo bom impulso. Ele unicamente, é capaz de implantar no coração a inimizade contra o pecado. Todo desejo de verdade e pureza, toda convicção de nossa própria pecaminosidade, é uma evidência de que Seu Espírito está operando em nosso coração.
Cristo está pronto para libertar-nos do pecado, mas não força a vontade; e se pela persistente transgressão a própria vontade estiver inteiramente inclinada ao mal, e não desejarmos ser libertados,
não querendo aceitar a Sua graça, que mais poderá Ele fazer? Nós mesmos nos destruímos, por nossa deliberada rejeição de Seu amor. “Eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação.”2 Coríntios 6:2. “Se ouvirdes hoje a Sua voz, não endureçais o vosso coração.” Hebreus 3:7-8.
“O homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração” (1 Samuel 16:7), esse coração humano com suas emoções de alegria e tristeza em conflito; coração volúvel e extraviado, que serve de habitação a tanta impureza e engano. Ele lhe conhece os motivos, seus próprios intentos e propósitos. Ide a Ele com vossa alma toda manchada como se acha.
Quando Satanás se chega a vós para vos dizer que sois grande pecador, erguei os olhos ao vosso Redentor, e falai de Seus méritos. O que vos ajudará é olhar para Sua luz. Reconhecei vossos pecados, mas dizei ao inimigo que “Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores” (1 Timóteo 1:15), e que por Seu inefável amor podereis ser salvos. Jesus dirigiu a Simão uma pergunta acerca de dois devedores. Um devia ao seu senhor uma soma pequena, e o outro uma importância muito grande; mas perdoou a dívida a ambos. Cristo perguntou então a Simão qual dos devedores mais amaria ao seu senhor. Simão respondeu: “Tenho para mim que é aquele a quem mais perdoou.” Lucas 7:43. Fomos grandes pecadores, mas Cristo morreu para que fôssemos perdoados. Os méritos de Seu sacrifício são suicientes para serem apresentados ao Pai em nosso favor. Aqueles a quem mais perdoou mais O hão de amar, e mais próximos de Seu trono se hão de achar, para O louvar por Seu grande amor e ininito sacrifício. É quando mais plenamente compreendemos o amor de Deus, que melhor reconhecemos a malignidade do pecado. Quando reconhecermos a extensão do cabo que para nós foi descido, quando ompreendermos alguma coisa do ininito sacrifício que Cristo fez em nosso favor, o coração se desfará em ternura e contrição.
 
“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me e conhece os meus pensamentos. E vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno.” Salmos 139:23-24

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